O Tesouro


Apesar de todos os meus desastres cuja fama começava a tornar-me ilustre, nunca perdi as esperanças. Mais do que isso: todas as manhãs me vestia e saía triunfalmente de casa. Dava uma volta ao quarteirão e voltava a entrar pela porta de trás com todos os cuidados, não me seguissem. E para ter ainda mais certeza de que nenhum transeunte lançaria um olhar invejoso por entre as grades, punha um toldo a tapar a janela. E começava então as minhas inquirições. Buscava aquele velho tesouro escondido que milhões de homens buscaram, consumindo nisso as vidas. E, como era de se esperar, todas as minhas buscas davam em nada. E só no chamado declinar da vida percebi que o meu pai encontrara o tesouro. Perfeitamente. De facto, quando faliu e estávamos à espera que em breve viessem para nos levar tudo o que tínhamos, ele sorria, um sorriso como se tivesse encontrado algo que durante anos andasse procurando, como se descobrisse de repente que nada nos pertence e que, portanto, para que havemos de torturar o nosso ser com coisas alheias… 

Tasos Leivaditis