Sr. Bleaney
Enquanto trabalhou com a Bodies, até
O transferirem.» As cortinas puídas de chita florida
Não chegam por doze centímetros ao peitoril
Da janela, que dá para um terreno manchado
De moitas e lixo. «O Sr. Bleaney ofereceu-se
Para cuidar do meu jardim. Tratou-mo bem.»
Cama, cadeira de pau, lâmpada de sessenta nenhum
Gancho atrás da porta, nem espaço para livros ou malas —
«O quarto serve.» Assim acontece que me deito
Na cama do Sr. Bleaney, e apago os cigarros
No mesmo pires de souvenir, e experimento
Encher os ouvidos de algodão para abafar
A conversata do rádio que ele a levou a comprar.
Sei os hábitos que tinha — a hora de se levantar,
A preferência por molhos de conserva, e o motivo
Por que escolhia aquela modalidade do Totobola —
Sei os ritos anuais: a família de Frinton
Com quem passava as férias de verão
E o Natal em Stoke em casa da irmã.
Mas se ficava a ver o vento frígido
Morder as nuvens, ou deitado na cama bafienta
Pensava para consigo que estava em casa e sorria
E tremia sem conseguir livrar-se do pavor
De o nosso dia a dia medir a nossa natureza;
E não tendo com aquela idade mais de seu
Do que um caixote alugado, se ficava seguro
De que não merecia mais, isso não sei.
Philip Larkin