A Vida não é Vida se for apenas Vida
Era a lição dos Gregos quando, confundidas todas as escolas, de Platão a Aristóteles, dos estóicos aos epicuristas e até aos cínicos (Diógenes dentro da sua barrica, não tão confinado quanto isso quando atira a Alexandre: «Sai da frente do meu sol»), eles professam que a vida não vale nada se não aspirar à «boa vida».
Era o pensamento de Nietzche, o antigrego, mas que estava de acordo com os Gregos sobre a vida nunca ser aquilo que é; e que, se não tende para outra coisa, se não aspira à grande vida, se não abre as escotilhas do corpo à inteligência dos outros e das coisas, deixa de merecer que lhe chamem vida.
É a sabedoria de todas as filosofias, todas mesmo, discordando a respeito de tudo excepto, talvez, da ideia de que a humanidade nunca tem uma identidade que lhe pertença, nunca encontra uma uniformidade em si própria - e que só pode durar se pela acção, ou pela contemplação, ou pelo esforço espinosiano para aumentar a potência do ser, ou pelo beijo divino sair do confinamento que representa a vida no estado nativo.
É a sabedoria de todas as filosofias, todas mesmo, discordando a respeito de tudo excepto, talvez, da ideia de que a humanidade nunca tem uma identidade que lhe pertença, nunca encontra uma uniformidade em si própria - e que só pode durar se pela acção, ou pela contemplação, ou pelo esforço espinosiano para aumentar a potência do ser, ou pelo beijo divino sair do confinamento que representa a vida no estado nativo.
É a mensagem de todas as aventuras humanas.
É a mensagem da arte.
É mensagem da literatura em busca do «grande caminho», dizia Sartre, onde aquilo que nos é mais íntimo se vai revelar na luz ofuscante da cidade, da multidão, do mundo — até Beckett, pintor de uma humanidade desesperadamente confinada, que começa À espera de Godot com: «Uma estrada no campo. Uma árvore»...
Bernard-Henri Lévy
Este Vírus que nos Enlouquece