Virilio, o profeta que anuncia o desmoronamento do mundo produzido pela aceleração digital, compreendeu este paradoxo: a aceleração leva à imobilidade, a viagem já não é uma experiência ligada a um espaço vivido, mas uma relocalizacão. A partir de uma certa velocidade, já nada se move — já nada de humano, haveria que acrescentar, pois o facto de não nos levantarmos do sofá e de o ecrã nos transformar em
cyborgs domésticos — em
domestorgs, ou
domocyborgs deve-se ao movimento inaparente da electricidade e da informação. A inércia do
homo facebookus é o olho de um Malström — um olho que não é «lúcido», mas imerso em fluxos digitais, em
digital clouds que o impedem de ver tanto a terra como o céu.
Frédéric Neyrat
Acelerar ou Interromper? Análise Estética e Política dos Acidentes Críticos, revista Electra