A tragédia de uma humanidade caída que está muito mais mal preparada para a vida na civilização do que uma virgem para uma vida de bordel e que gostaria de usar a moral para se consolar da sífilis é agudizada pela renúncia constante a toda a renovação espiritual. (…) Gostaria de fugir da imprensa, que lhe envenenou as entranhas, para os bosques, e já não encontra bosques. Onde antes árvores altaneiras elevavam ao céu as graças da terra, acumulam-se edições dominicais. (…) É então que a humanidade toma consciência de que o progresso lhe roubou o oxigénio e corre para o desporto. Mas o desporto é filho adoptivo do progresso, contribui para a estupidificação da família. Não há como escapar.
Karl Kraus
citado por Ana Cristina Leonardo no artigo O Apocalipse Estável, Meditação na Pastelaria, Suplemento Ípsilon, Jornal Público