Injustiças


(...) a maior parte das pessoas entregam-se à miragem de uma dupla crença: acreditam na perenidade da memória (dos homens, das coisas, dos actos, das nações) e na possibilidade de reparar (actos, erros, pecados, injustiças). São as duas igualmente falsas. A verdade situa-se justamente nos antípodas: tudo será esquecido e nada será reparado. O papel da reparação (pela vingança e pelo perdão) será representado pelo esquecimento. Ninguém reparará as injustiças cometidas, mas todas as injustiças serão esquecidas.

Milan Kundera
A Brincadeira