Vapores Quentes
Eram os nossos primeiros dias de liberdade [da escola] e já estávamos fartos. Perguntei-me o que nos reservaria o Verão.
Fomos para o quintal da frente, onde Dill se pôs a olhar para a fachada de Radley Place, um pouco mais abaixo.
— Eu... estou a cheirar... morte — disse ele. — A sério que estou — insistiu, quando lhe dissemos que se calasse.
— Queres dizer que consegues cheirar a morte de alguém?
— Não, quer dizer que cheiro uma pessoa e consigo dizer se ela vai morrer. Foi uma velhota que me ensinou. — Dill inclinou-se para a frente e cheirou-me. — Jean... Louise Finch, vais morrer daqui a três dias.
— Dill, se não te calares atiro-te para o chão! Estou a falar a sério...
— Calem-se os dois — grunhiu Jem. — Até parece que acreditas em vapores quentes.
— Parece que tu não acreditas — retorqui.
— O que é um vapor quente? — indagou Dill.
— Nunca passaste por uma estrada solitária durante a noite e te apercebeste de um sítio quente? — perguntou Jem a Dill. — Um vapor quente é uma pessoa que não pode ir para o Céu, e que anda por aí, pelas estradas solitárias, e se atravessarmos essa pessoa, quando morrermos ficamos iguais a ela, e andaremos para aí a assustar as pessoas...
— Como é que se pode evitar atravessarmos uma pessoa dessas?
— Não se pode respondeu Jem. — Por vezes, elas estendem-se e ocupam a estrada toda, mas se tiveres de a atravessar, deves dizer: «Anjo de luz, vida na morte; sai da estrada e dá-me sorte.» Isso evita que elas te envolvam...
— Não se pode respondeu Jem. — Por vezes, elas estendem-se e ocupam a estrada toda, mas se tiveres de a atravessar, deves dizer: «Anjo de luz, vida na morte; sai da estrada e dá-me sorte.» Isso evita que elas te envolvam...
Harper Lee
Não Matem a Cotovia