As Lições
Educação
À educação, como é geralmente entendida, muitas vezes falta uma ligação à ética e aos valores humanos fundamentais. Em vez disso, dá-se prioridade a ensinar indivíduos a serem bem-sucedidos na aquisição de riqueza, estatuto social e, consequentemente, de um sentimento de segurança através da competição. Esta abordagem prática da educação desumaniza os indivíduos e transforma-os em simples ferramentas para as necessidades da sociedade, em vez de apoiar a sua humanidade. Infelizmente, este tipo de educação, que mina a essência de ser humano, é prevalecente em muitas instituições.
Democracia
Democracia, a mais enganadora palavra do nosso tempo. Algumas pessoas acreditam que têm uma democracia que protege o seu pais, o seu sistema e o seu poder, enquanto simultaneamente consideram que outras pessoas não a têm ou não a merecem. Mas o que debatemos como democracia não é a sua verdadeira forma. A verdadeira democracia poderá nunca realmente existir. Em vez disso, aquilo que dizemos é que uma sociedade democrática é uma forma de distribuir poder que falha ao não conseguir responder às exigências de todos, especialmente dos marginalizados. Independentemente da existência de votações, eleições ou participação pública, as decisões são tomadas pela maioria, e isso faz com que já não sejam democráticas, pois negam a importância da existência individual e do livre-arbítrio. Este perpetuar da falsa democracia ocorre devido à influência dos media, à educação e à propaganda, que levam os indivíduos a acreditar que têm representação e identidade, quando, na realidade, a sua vontade foi substituída pelos valores da sociedade, incluindo a educação, o consumo e a necessidade de sobrevivência. Quando falamos acerca de democracia, é essencialmente uma falsidade.
Liberdade
No tocante à liberdade, é muito semelhante à democracia, dado que é uma miragem e falta-lhe substância. Muitas pessoas acreditam que mais poder e recursos equivalem a mais liberdade. Mas, de um ponto de vista filosófico, a liberdade ergue-se da luta e da resistência. Sem o esforço de empurrar as limitações, o que se adquire não é a liberdade, mas o que é concedido, o que equivale a estar manietado.
Direitos humanos
A discussão acerca dos direitos humanos não deverá ser uma simples exposição da sua importância, mas antes uma invocação face às mais penosas e atormentadoras circunstâncias. Infelizmente, hoje em dia o termo é frequentemente utilizado por aqueles que têm o privilégio de o manipular para seu próprio proveito e como moeda de troca, em vez de ser usado em benefício daqueles que precisam desesperadamente da sua protecção. Esta prática é generalizada, tanto na esfera política como na esfera mediática. Os direitos humanos são um valor partilhado e, quando eles se diluem ou são explorados, deixam de ser verdadeiros direitos humanos, e em vez disso tornam-se uma ferramenta para o lucro.
Planeta
O tema da protecção ambiental tornou-se muito popular nos tempos mais recentes, mas creio que se trata de uma falsa questão. A noção de que os seres humanos estão acima do ambiente, com padrões morais mais elevados e uma maior capacidade para proteger o ambiente, é claramente absurda. O esgotamento dos nossos recursos e a degradação do nosso ambiente são um resultado directo da destruição humana. O consumo desenfreado de recursos e a conversão destes em capital para a satisfação da ganância individual e da selvajaria humana estão a levar à extinção de muitas espécies e ao esgotamento de recursos essenciais. É por isso que eu evito participar em debates acerca de protecção da Natureza — a premissa não é válida. A única coisa que estou disposto a dizer é que devemos parar a destruição do nosso ambiente, o que, infelizmente, parece ser uma tarefa quase impossível.
Morte
A morte é o definitivo, e muitas vezes desvalorizado, tesouro da vida. Concede à vida significado e objectivo, criando um sentido de urgência, uma apreciação da natureza fugaz da nossa existência, e expectativas para a perpetuação de diferentes formas de vida. Com a morte como um inevitável fim, podemos reflectir sobre o significado e a importância das nossas vidas, criar memórias e legados que mereçam ser lembrados e acarinhados. Mas esta reverência à morte é muitas vezes obscurecida pela tendência da humanidade para a corrupção e o menosprezo do seu valor.
A morte é o definitivo, e muitas vezes desvalorizado, tesouro da vida. Concede à vida significado e objectivo, criando um sentido de urgência, uma apreciação da natureza fugaz da nossa existência, e expectativas para a perpetuação de diferentes formas de vida. Com a morte como um inevitável fim, podemos reflectir sobre o significado e a importância das nossas vidas, criar memórias e legados que mereçam ser lembrados e acarinhados. Mas esta reverência à morte é muitas vezes obscurecida pela tendência da humanidade para a corrupção e o menosprezo do seu valor.
Ai Weiwei
Jornal Público