Ficção do Intermezzo
Não escrevi história nem histórias, e, por isso, não uso protagonistas, a não ser a variedade de pessoas que tenho sido. Nenhuma delas tem existência real, porque nada tem, cientificamente falando, existência «real». As coisas são sensações nossas sem objetividade determinável, e eu, sensação também para mim mesmo, não posso crer que tenha mais realidade que as outras coisas. Sou, como toda a gente, uma ficção do «intermezzo», falso como as horas que passam e as obras que ficam, no rodopio subatómico deste inconcebível universo.
Fernando Pessoa