Revolução


Tenho uma revolução, 
francesa, perfumada, 
que entre 68 e 75 me levou 
pela mão, em festa, 
a conhecer os mistérios 
do mundo. 
Anda, desde então, 
encavalitada pelas estantes, 
entre despojos da memória 
e insones sonhos por cumprir, 
poemas desesperados, 
amores antigos e já esquecidos, 
vagos distúrbios de consciência 
e muitas outras coisas 
espalhadas 
que não vale a pena enumerar. 
E guia-me 
pelo labirinto do devir, 
a livrar-me da ameaça do tédio 
nosso de cada dia.

Adolfo Luxúria Canibal